Exportação de café brasileiro cai 22,6% na safra 25/26
Relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostrou que o país embarcou 2,618 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto em fevereiro, com receita cambial de US$ 1,062 bilhão. A queda nas exportações de café do Brasil ocorre devido à recessão do mercado e à queda das cotações da variedade arábica.
Em comparação com o mesmo mês de 2022, houve queda de 23,5% em volume e de 14,7% em valores. Com esse desempenho, as exportações de café do Brasil chegaram a 26,038 milhões de sacas no acumulado dos oito primeiros meses do ano safra 2025/26, declínio de 22,6% em relação a idêntico intervalo anterior.
Já a receita cambial apresentou uma evolução de 5,3% entre julho do ano passado e fevereiro deste ano ante os oito primeiros meses da safra 2024/25, chegando a US$ 10,301 bilhões. O presidente do Conselho, Márcio Ferreira, destaca que o cenário de baixa nas exportações, neste ano, ocorre, principalmente, com a variedade arábica, cujas cotações vêm sofrendo queda acentuada e rápida na Bolsa de Nova York.
Segundo ele, os fundos estão liquidando posições compradas substancialmente, antecipando uma disponibilidade bem maior do produto na próxima safra, cenário que, aliado ao recuo expressivo do dólar frente ao real e ao fato de os produtores, capitalizados, com remanescente ajustado da safra corrente, acaba por dosar a oferta brasileira a níveis não competitivos para novos negócios frente às demais origens.
“Essa tendência deve permanecer até a entrada da próxima safra, ocasionando perda de market share do Brasil para outras origens produtoras, o que, obviamente, não é favorável em médio e longo prazos”, comenta.
Ferreira completa que esse movimento pode se acentuar com as tensões geopolíticas no Oriente Médio e os gargalos logísticos. “A tendência de recuperação é esperada a partir da próxima safra que se avizinha e já ocorre com o conilon, que conta com maiores estoques de passagem e cuja colheita comercializada a partir de maio será também importante. No caso arábica, a expectativa de recuperação dos embarques está relacionada à melhoria das condições de mercado e à disponibilidade de estoques.”