Governo tenta segurar inflação com medida sobre diesel
A decisão anunciada pelo governo federal, nesta quinta-feira, é uma tentativa de proteger o Brasil dos efeitos da guerra no mercado internacional de energia.
Ao editar uma Medida Provisória que zera o PIS/Cofins do diesel, o objetivo é direto: impedir que a disparada do petróleo lá fora vire inflação aqui dentro.
Segurar o diesel virou prioridade porque ele move praticamente tudo no Brasil, incluindo caminhão, trator e comida que sai do campo e chega à mesa.
Quando o diesel sobe, o frete dispara, e o primeiro lugar onde isso aparece é no preço da comida.
No entanto, essa medida ajuda no frete interno, mas não resolve todos os impactos da alta do petróleo.
O petróleo mais caro também encarece fertilizantes, defensivos e o frete marítimo que traz esses insumos ao Brasil.
A renúncia fiscal com essa isenção pode chegar perto de R$ 30 bilhões, e para cobrir esse buraco, o governo decidiu buscar recursos onde o ganho está maior neste momento: nas exportações de petróleo bruto.
O ponto mais importante da medida é que ela não foi pensada como política permanente.
Funciona mais como um amortecedor temporário, criado para atravessar um período de turbulência internacional.
Além disso, o governo tentou evitar um problema clássico desse tipo de medida: o desconto desaparecer no meio do caminho.
Agora começa a parte mais difícil: fiscalizar.
De nada adianta o governo abrir mão de receita se o desconto ficar retido entre distribuidoras e postos.
O sucesso da medida vai depender de duas coisas: quanto tempo essa crise internacional vai durar e da capacidade do Estado de garantir que o alívio chegue à bomba de gás.