Flávio pede apoio de Ratinho no 1º turno e enfrenta resistência
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quer o apoio do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), para sua candidatura à Presidência da República. Mas a oferta enfrenta resistência de aliados do paranaense.
O coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), ofereceu a Ratinho uma aliança para o primeiro turno das eleições de outubro. A conversa foi feita nesta quarta-feira (11) em Brasília, a convite do parlamentar.
O aceite implicaria ao governador abrir mão da vaga hoje em disputa dentro do próprio PSD. Outros dois governadores, o de Goiás, Ronaldo Caiado – este ainda não filiado mas com promessa de se juntar ao PSD -, e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, competem entre si para se cacifar como candidato ao Palácio do Planalto pela sigla.
Ratinho respondeu a Marinho que o PSD não decidiu ainda quem será o presidenciável e que ele não pode responder pela legenda, segundo aliados do governador. Os dois combinaram de se falar dentro de duas semanas, e outra conversa deve ser feita até o fim de março.
‘Nós do PL temos respeito e admiração pelo trabalho do governador. Em nenhum momento se tratou de ultimato ou condicionantes. Deixei claro que gostaríamos de contar com o governador no primeiro turno, mas que respeitaríamos a sua decisão e de seu partido’, afirma Marinho.
Aliados de Ratinho dizem ao Estadão que o governador levaria a Flávio a irritação provocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições municipais de 2024. À época, PSD tinha um acordo para o PL indicar o vice na chapa do candidato à prefeitura de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), apadrinhado de Ratinho.
Embora o PL tivesse escolhido o bolsonarista Paulo Martins para a vaga, Bolsonaro acabou ficando ao lado da rival Cristina Graeml (então no PMB, hoje no União Brasil), o que enfureceu o grupo de Ratinho.
O apoio declarado de Bolsonaro a Graeml às vésperas do primeiro turno foi visto como fundamental para que a jornalista de 54 anos, novata na política, garantisse seu lugar no segundo turno – ela acabaria derrotada. O episódio também pegou o PL de surpresa.
Lideranças do PSD paranaense agora querem evitar uma nova traição nas eleições deste ano.
Sem a impulsividade de Bolsonaro, hoje preso no presídio da Papudinha e afastado das articulações políticas, Marinho e Flávio querem manter Ratinho próximo desde o começo. ‘Mas começaram mal’, resume uma pessoa próxima ao governador.