Por que o desempenho da Embraer foi exagerado, segundo o JPMorgan
A ação da Embraer (EMBJ3) desabou 11,01% na última quinta-feira, acumulando perdas de 19,56% em março e 15,65% no acumulado do ano. No entanto, o JPMorgan vê esse movimento como exagerado e mantém recomendação overweight.
O banco aponta que a principal preocupação dos investidores reside no potencial atraso ou cancelamento da carteira de pedidos da empresa, atualmente em US$ 31,6 bilhões. Isso ocorreria devido à alta dos preços do petróleo em meio ao conflito no Irã e de uma possível crise no segmento aeroespacial.
De acordo com os analistas do JPMorgan, uma contração de aproximadamente 11% no valor patrimonial da empresa implica um corte de cerca de 25% em sua carteira de pedidos de aviação comercial. Além disso, uma revisão para baixo de 12% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) deste ano e do próximo exigiria uma redução de 20% nas entregas, tanto para aviação comercial quanto executiva.
O JPMorgan vê a Embraer negociando a 8,9 vezes o múltiplo de EV (valor da firma)/Ebitda esperado para 2026, contra 11,2 vezes da Air France, 36,1 vezes da Boeing e 12,8 vezes da Bombardier. Os analistas do banco apontam que cada redução de 5% nas entregas de aeronaves comerciais em relação às suas estimativas atuais representa uma contração de aproximadamente 1% no Ebitda deste ano.