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Brasil corta taxa Selic enquanto bancos centrais globais mantêm juros inalterados

Brasil corta taxa Selic enquanto bancos centrais globais mantêm juros inalterados

Em uma semana de sincronia global, os principais bancos centrais do mundo optaram por manter os juros inalterados, reforçando um tom de cautela diante da escalada geopolítica e dos riscos inflacionários.

Enquanto isso, o Brasil deu início ao seu ciclo de afrouxamento monetário. O Banco Central brasileiro reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano — o primeiro corte em quase dois anos, após a taxa ter atingido o pico de 15%, o maior nível em duas décadas.

A decisão conjunta ocorre em meio à intensificação da guerra no Irã, que elevou os preços do petróleo e reacendeu o temor de uma nova onda inflacionária global.

As autoridades monetárias das principais economias preferiram esperar, mas o objetivo é conter a inflação sem sufocar economias que ainda mostram crescimento desigual, evitando um cenário de estagflação.

Para o economista Pedro Schneider, do Itaú Unibanco, o atual movimento dos bancos centrais vai além do impacto imediato da guerra. “As decisões não se baseiam apenas no conflito ou no petróleo. Existe uma questão macroeconômica mais ampla, muitos países já vinham enfrentando dificuldades para controlar a inflação”, afirmou durante evento do Itaú BBA.

Um gráfico apresentado pelo banco mostra que, historicamente, choques de petróleo — como o observado após a guerra na Ucrânia — costumam ser seguidos por ciclos de alta de juros, refletindo o impacto disseminado da energia sobre a inflação.