MP rejeita delação de ‘Beto Louco’ e ‘Primo’: ‘confissão seletiva’ e ‘pontos cegos’
O Ministério Público de São Paulo (MP) rejeitou a proposta de delação premiada de ‘Beto Louco’ e ‘Primo’, dois empresários acusados de ligações com o PCC.
Na avaliação do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, a proposta foi rejeitada por conta de uma ‘confissão seletiva’ e ‘pontos cegos’ nas narrativas dos dois empresários.
Segundo Paulo Sérgio, os pretensos colaboradores não apresentaram elementos que atendessem à finalidade legal da delação premiada, atuando com ‘confissão seletiva’ e deixando ‘pontos cegos’ nas respectivas narrativas.
A delação premiada foi oferecida por meio do advogado dos dois empresários, Guilherme San Juan, e prometia informações de grande impacto sobre políticos, juízes e agentes públicos dos Três Poderes que teriam sido contemplados com propinas milionárias.
No entanto, Paulo Sérgio considerou que a munição dos foragidos não era de grosso calibre e que a lei estabelece expressamente o dever do colaborador de narrar a totalidade dos fatos ilícitos para os quais concorreu.
O procurador-geral ainda criticou a fragilidade do sigilo das informações prestadas e o risco a vindouras e necessárias diligências baseadas nas colaborações.
A rejeição da proposta de delação premiada representa um recuo na busca da Justiça por informações que possam ajudar a combater a corrupção e o crime organizado no Estado de São Paulo.