20% de mortes mais: por que a velocidade é o grande vilão da via pública
Uma alteração nas regras de trânsito pode ter consequências letais. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), aumentar a velocidade permitida em uma via em apenas 5% pode elevar em até 20% o número de mortes entre usuários que circulam por ela.
A Abramet divulgou uma diretriz que destaca a importância de considerar os limites biomecânicos do corpo humano e o impacto direto da velocidade na gravidade dos sinistros. O documento mostra que pequenas reduções de velocidade geram quedas expressivas no risco de morte, enquanto acréscimos aparentemente modestos elevam de forma desproporcional a gravidade dos sinistros.
Impacto da expansão da frota de SUVs
A Abramet também chama atenção para o impacto crescente da expansão da frota de SUVs e de veículos com frente elevada, associados a maior risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas, mesmo em velocidades moderadas.
Velocidade responde por 90% da energia transferida
A norma evidencia que, em colisões com usuários fora do veículo, a velocidade responde por cerca de 90% da energia transferida ao corpo da vítima.
Implicações para a atuação de médicos do tráfego
A diretriz aborda também implicações para a atuação de médicos do tráfego, temas avaliados pela Abramet como especialmente sensíveis diante do cenário de renovação automática da CNH.
- Condições clínicas como envelhecimento, doenças neurológicas e cardiovasculares, distúrbios do sono, osteoporose e sequelas de traumatismos reduzem significativamente a tolerância humana a impactos e à desaceleração;
- A aptidão para dirigir não é um estado permanente, mas varia conforme a condição de saúde, a idade e o contexto de exposição ao risco.
Recomendações
A norma também apresenta recomendações para gestores públicos, instituições de ensino e sociedade, defendendo a adoção de limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana, além de políticas permanentes de gestão da velocidade e campanhas educativas.