Estoques em alta e vendas mais lentas em construtoras de médio e alto padrão em SP
Enquanto o mercado imobiliário voltado à baixa renda segue resiliente, o BTG Pactual vê sinais iniciais de desaceleração no setor de médio e alto padrão em São Paulo, com estoques em alta e vendas perdendo ritmo.
De acordo com um relatório do banco, 2025 foi um ano robusto para o segmento, com os lançamentos na capital paulista crescendo aproximadamente 34% na comparação com 2024. No entanto, a intensidade de comercialização avançou bem menos, cerca de 9% no mesmo período, o que levou a um aumento de 40% nos níveis de estoques.
Com isso, o volume de imóveis disponíveis passou a representar 11 meses de vendas, ante aproximadamente 7 meses no fim de 2024, indicando que as incorporadoras lançaram projetos em uma cadência superior ao da demanda recente.
Os analistas do BTG destacaram que a piora é mais evidente nas unidades de maior valor, com estoque equivalente a quase 20 meses de vendas em imóveis avaliados acima de R$ 2,1 milhões.
A desaceleração no setor de médio e alto padrão em SP ocorre em um ambiente macroeconômico ainda desafiador, marcado por juros elevados e crédito imobiliário mais restrito, que afetam principalmente compradores de renda média.
Caso o ritmo de vendas continue desacelerando, o banco avalia que as empresas poderão enfrentar pressão nas margens, já que parte das unidades prontas pode precisar ser repassada com maiores descontos.
A desaceleração no setor de médio e alto padrão em SP é um sinal de alerta para as construtoras da região, que precisam adaptar suas estratégias para manter a competitividade no mercado.