Medida de Lula pode bater em até 15% de resultado operacional de PRIO e Brava
O governo não ficou de braços cruzados e resolveu agir rápido para evitar que a disparada do petróleo, hoje em US$ 102, provocasse maiores estragos na economia. Para isso, a equipe econômica tratou de reduzir o imposto federal sobre o diesel, em um impacto estimado em R$ 15,9 bilhões, segundo cálculos da XP.
Na prática, isso elimina os únicos dois impostos federais atualmente cobrados sobre o combustível e representa uma redução de R$ 0,32 por litro, além de uma subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores de diesel, valor que deverá ser repassado ao consumidor final. Somadas, as duas medidas têm potencial para gerar um alívio de até R$ 0,64 por litro nas bombas.
Do outro lado da balança, o governo pretende elevar os tributos de exportação em 12% sobre a exportação de petróleo bruto (antes isenta). Isso pode afetar empresas como PRIO e Brava, que eram apontadas como as melhores empresas para surfar a alta do petróleo.
Segundo o Bradesco BBI, a medida pega duas exportadoras da bolsa: PRIO (PRIO3) e Brava (BRAV3). A dupla caiu 4,37% e 9% respectivamente em cinco sessões. Nas contas do BBI, em um cenário de Brent a US$ 80/barril e com vigência de dez meses, estimativas preliminares apontam redução de aproximadamente 15% no Ebitda, que mede o resultado operacional, de PRIO e de Brava.
No caso da Petrobras, a estatal até sai ganhando: o balanço entre subsídio e taxação se mantém positivo até níveis de petróleo próximos a US$ 150/barril.
De qualquer forma, diz o BBI, a medida amplia a incerteza regulatória e pode pressionar valuations no longo prazo, sobretudo entre empresas independentes.
Na avaliação do Bradesco BBI, no segmento de distribuição, o efeito tende a ser favorável: apesar de eventuais perdas iniciais de estoque, o desconto entre preços domésticos e a paridade de importação permanece elevado.
Isso, segundo a casa, sustenta o diferencial competitivo para distribuidoras com maior exposição ao suprimento da Petrobras.