Pressão sobre petróleo afeta economia brasileira
A escalada das tensões no Golfo Pérsico, com ameaça de interrupção do Estreito de Ormuz, pressiona o barril de petróleo e acende o alerta para possíveis efeitos sobre a economia brasileira.
No entanto, especialistas, como o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, descartam risco de falta de combustíveis no curto ou médio prazos, pois o Brasil é autossuficiente em petróleo cru e hoje exporta excedentes.
O impacto tende a vir pelo bolso, pois o País importa derivados, sobretudo diesel, e pode sentir um repique de preços, ainda que atenuado pela política da Petrobras de ‘abrasileiramento’ de valores.
A Agência Internacional de Energia realiza uma reunião extraordinária na terça-feira para discutir uma possível liberação das reservas de emergência.
Para Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a crise reforça a necessidade de expandir a produção interna de insumos estratégicos.
A dependência de importações de diesel, querosene de aviação, Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e fertilizantes, com 85 % de dependência externa, é um desafio para o País.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média é de 4 milhões de barris diários, ante consumo de 2,6 milhões, o que dá ‘margem de segurança’.
No entanto, a importação de 600 mil barris de derivados por dia, sendo metade diesel, pode pressionar a inflação.
O desafio é blindar o consumidor interno de choques internacionais enquanto o País avança na capacidade de produção interna.