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Safra só termina quando o grão está no armazém, alerta pesquisador do Cepea

Safra só termina quando o grão está no armazém, alerta pesquisador do Cepea

Quando o plantio de soja começou, em meados de setembro do ano passado, secas prolongadas e precipitações abaixo da média desafiaram os agricultores do Centro-Oeste. No Rio Grande do Sul, onde a semeadura ocorreu mais tarde, a estiagem vem consolidando perdas reais na safra mês a mês.

"O final da lavoura é só quando o grão está no armazém. Enquanto está no campo não quer dizer nada, só está indicando que pode ter uma boa produção", afirma Mauro Osaki, pesquisador do Cepea.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que 50,6% da área de soja 2025/26 em todo o Brasil já foi colhida. Segundo Osaki, a falta de estrutura de armazenagem no país também aumenta a vulnerabilidade da produção, especialmente em períodos de clima instável.

"O Brasil cresce muito no campo, mas não consegue crescer na parte estrutural. Falta armazém, e muitas vezes a produção fica exposta", diz.

Mas, apesar dos desafios, as tendências para o mercado de soja se mantêm. Nos números, os preços caminham próximos das projeções feitas anteriormente pelo Cepea.

"A gente projetava, por exemplo, um preço médio para março em torno de R$ 101 a saca em Sorriso. Hoje estamos falando [de um valor] muito próximo disso", pontua.

De acordo com ele, mesmo com preços abaixo do esperado em alguns momentos, a produtividade um pouco maior pode ajudar a compensar parte das perdas. "Então, em termos de receita bruta, uma coisa acaba compensando a outra", observa Osaki.