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Wall Street fecha em tom misto após Fed interromper ciclo de cortes nos juros dos EUA

Wall Street fecha em tom misto após Fed interromper ciclo de cortes nos juros dos EUA

Os índices de Wall Street encerraram o pregão desta quarta-feira (28) sem direção única, em dia marcado por decisão de política monetária e escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã.

Os investidores também ficaram na expectativa pelos balanços das gigantes de tecnologia: Meta, Microsoft e Tesla.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: +0,02%, aos 49.015,60 pontos;
  • S&P 500: -0,01%, aos 6.978,03 pontos; 
  • Nasdaq: +0,17%, aos 23.857,44 pontos.

O que mexeu com Wall Street hoje?

O Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, como o esperado, e interrompeu o ciclo de cortes iniciado em setembro do ano passado.

Mais uma vez, a decisão não foi unânime: os diretores Stephen Miran – indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – e Christopher Waller, um dos cotados a substituir Jerome Powell, votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual na taxa referencial.

No comunicado da decisão, o Fomc destacou que as incertezas com a economia norte-americana seguem elevadas. “O Comitê busca alcançar o máximo de emprego e inflação na taxa de 2% ao longo do prazo. A incerteza sobre as perspectivas econômicas permanece elevada. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato”, disse o comunicado.

De um lado, os indicadores econômicos disponíveis sugerem que a atividade tem se expandido em ritmo sólido. Do outro, o aumento de empregos permaneceu baixo, com alguns sinais de estabilização da taxa de desemprego – que ficou em 4,4% em dezembro. Já a inflação permanece um pouco elevada.

“Com o mercado de trabalho melhorando na margem, mas ainda em situação de ‘no hiring, no firing’ – o que já pode ser um reflexo de implementação de IA em diversos setores – e inflação esperada subindo, o Fed certamente precisa de novos dados para justificar cortes”, avaliou Mauricio Garret, chefe da mesa de operações internacionais do Inter.

Na coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que o Fed seguirá atento aos dois lados do mandato — emprego e inflação — e que um novo corte dependerá de sinais mais claros de enfraquecimento do mercado de trabalho ou da confirmação de que a inflação voltará a convergir para 2% de forma sustentável.

Após a decisão, o mercado passou a precificar dois cortes nos juros neste ano e nenhuma redução em 2027, independentemente do próximo presidente do Fed. De acordo com o Polymarket, Rick Rieder, diretor de investimentos na BlackRock, é o candidato mais provável a assumir a cadeira de comando do BC norte-americano, com 37% das apostas.

Durante a sessão, o índice S&P 500 ultrapassou a marca dos 7.000 pontos pela primeira vez, impulsionado pelo otimismo em relação à inteligência artificial e pelas expectativas de fortes lucros das grandes empresas de tecnologia.

A Meta (META) divulga resultados do quarto trimestre (4T25) após o fechamento dos mercados. A expectativa é de que a dona do Facebook, WhatsApp e Instagram, reporte lucro por ação (LPS ou EPS, na sigla em inglês) de US$ 8,16, com receita de US$ 58,4 bilhões. 

A gigante de tecnologia também deve elevar sua projeção de despesas de capital. O capex total de 2025 deve permanecer no intervalo entre US$ 66 bilhões e US$ 72 bilhões e subir para faixa de US$ 70 bilhões e US$ 72 bilhões em 2026.  

Tensões geopolíticas

As tensões geopolíticas ficaram no radar. Pela manhã, o presidente Donald Trump fez um apelo ao Irã para chegar a um acordo, caso contrário, o próximo ataque será “muito pior”.

Em uma publicação na rede social Truth, o presidente norte-americano disse que uma “grande armada” naval está se deslocando rapidamente ao país, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Ele ainda declarou que a frota é “maior do que a enviada à Venezuela”.

Vale lembrar que os EUA realizaram ataques contra o Irã em junho do ano passado. O país persa é um dos principais exportadores para a China, o segundo maior consumidor de petróleo do mundo.

Fonte original: moneytimes.com.br