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XP prevê manutenção da Selic em face de cenário inflacionário

XP prevê manutenção da Selic em face de cenário inflacionário

As apostas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (18) começaram a mudar. Se antes a expectativa era de um corte de 0,50 ponto percentual (p.p.) – com os mais otimistas projetando 0,75 p.p. – agora, parece que o vento mudou de direção.

A XP Investimentos passou a acreditar em manutenção da Taxa Selic na próxima reunião do Copom, em face das incertezas e pressão na inflação global.

Segundo o relatório da XP, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e a alta no preço do petróleo são fatores que têm feito o mercado rever suas expectativas para a taxa de juros brasileira. No mercado de opções, a expectativa de um corte de 0,25 p.p. começou a entrar em cena na quinta-feira (12).

A XP foi a mais conservadora até o momento em revisar suas expectativas. Os economistas da casa avaliam que apesar do comitê ter sinalizado que poderia dar início ao ciclo de flexibilização monetária, o panorama atual não é o cenário esperado para que o movimento se concretize.

O foco principal da análise da equipe gira em torno da inflação, peça-chave para que o Copom comece a cortar juros. Na avaliação deles, os recentes dados e as notícias pioraram o cenário e reforçam a expectativa da inflação acima da meta projetada pelo Banco Central de 3% – com 1,5 p.p de tolerância para cima e para baixo.

Parte da deterioração do cenário inflacionário vem justamente da disparada do petróleo com a escalada do conflito no Oriente Médio, o barril do Brent saiu de níveis próximos a US$ 60 considerados nas projeções do Copom em janeiro para patamares próximos de US$ 100 nas últimas semanas.

Na prática, esse movimento pressiona a inflação por diferentes canais. O primeiro deles é direto: combustíveis mais caros tendem a elevar os preços nas bombas, o que impacta o IPCA. O segundo é indireto, já que o aumento do custo de energia e transporte acaba sendo repassado para outros bens e serviços da economia.

Para os economistas da XP, trata-se de um choque negativo de oferta relevante, justamente em um momento em que a economia está enfrentando desafios.