Ajuste fiscal no próximo governo: quais setores serão mais afetados?
O sócio e economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, afirma que um ajuste fiscal é necessário para o próximo governo, mas deve ser feito de forma diferente do que foi tentado nos últimos quatro anos.
De acordo com Almeida, o próximo governo precisará controlar o crescimento do gasto público, em vez de aumentar receitas e despesas, o que seria inflacionário em uma economia em pleno emprego.
Ele lembra que a carga tributária brasileira é muito alta, acima de 32% do PIB, e que não é sustentável manter essa taxa de aumento da arrecadação acima do crescimento da economia.
Almeida diz que o ajuste fiscal deve ser feito com foco no controle da despesa, o que abriria espaço para um corte “muito rápido” de juros.
Ele afirma que não precisa ser um ajuste drástico e rápido, como fez o governo Milei na Argentina, e que pode ser feito de forma mais diluída no tempo, o que já derrubaria os juros futuros de prazos mais longos.
Segundo Almeida, o juro real dos títulos públicos Tesouro IPCA+ (NTN-Bs) está na casa dos 7% ao ano, o que não é sustentável e vai precisar cair em algum momento.
O grande desafio para o próximo ano é convencer a toda a sociedade e políticos da necessidade de apertar um pouquinho as contas e dar uma solução para o fiscal.